O Brasil se despede de uma de suas maiores referências no jornalismo televisivo. Cid Moreira, que por décadas foi a voz do "Jornal Nacional", faleceu aos 97 anos. A morte do icônico apresentador foi confirmada nesta terça-feira, 3 de outubro de 2024, por sua família.
Cid Moreira conquistou gerações de telespectadores com sua voz inconfundível, marcando uma era na TV brasileira. Ele ficou conhecido principalmente por suas décadas à frente do "Jornal Nacional", programa do qual foi âncora de 1969 a 1996. Seu tom solene e profundo, associado à seriedade dos fatos noticiados, deu ao jornalismo televisivo brasileiro um novo patamar de credibilidade e respeito.
Nascido em Taubaté, São Paulo, em 29 de setembro de 1927, Cid Moreira começou sua carreira no rádio, ainda jovem. Sua voz grave e potente rapidamente o destacou, levando-o à televisão na década de 1950. O auge de sua carreira aconteceu quando assumiu o "Jornal Nacional" ao lado de Sérgio Chapelin, em 1969, no início da ditadura militar no Brasil. Cid foi a voz que informou milhões de brasileiros sobre eventos decisivos na história do país, como a redemocratização, o impeachment de Fernando Collor e os diversos planos econômicos.
Além de seu trabalho no jornalismo, Cid Moreira também ficou marcado por projetos de locução, principalmente sua interpretação da Bíblia. Seus CDs e DVDs narrando o Novo e o Antigo Testamento tornaram-se referência para muitos religiosos, consolidando sua imagem como uma voz de sabedoria e respeito.
Cid sempre foi uma figura que inspirava confiança. Sua voz marcante, associada a uma postura profissional e ética, fez dele um nome eterno na memória do público brasileiro.
Após a confirmação de sua morte, diversas personalidades do jornalismo, entretenimento e da política manifestaram suas condolências nas redes sociais. William Bonner, atual apresentador do "Jornal Nacional", lamentou a perda, destacando a importância de Cid como pioneiro do jornalismo televisivo. “Ele foi um exemplo para todos nós. Sua seriedade, sua forma de apresentar e de narrar os fatos foi única”, afirmou Bonner.
O presidente da República também se pronunciou, decretando luto oficial de três dias em homenagem ao jornalista, que por tanto tempo foi a voz das notícias no país. "O Brasil perde um ícone da comunicação, alguém que ajudou a construir o jornalismo como conhecemos hoje", disse em nota oficial.
Cid Moreira deixa um legado que transcende a televisão. Sua voz se tornou sinônimo de informação confiável, e sua maneira de comunicar os fatos marcou a história da televisão brasileira. Em suas últimas entrevistas, ele refletiu sobre sua longevidade e o impacto de sua carreira, afirmando que sempre viu a comunicação como uma missão.
Com sua partida, o Brasil perde mais do que um jornalista: perde uma referência de ética e de compromisso com a verdade.
Esta matéria homenageia a trajetória brilhante de Cid Moreira, uma das figuras mais marcantes da comunicação no Brasil.
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