Há momentos em que os fatos falam por si e escancaram a incapacidade sistêmica de se resolver questões que deveriam atender ao interesse coletivo — e não aos privilégios de um pequeno grupo de “amaldiçoados” que, para alcançar algum êxito na vida, dependem do sacrifício da maioria.
Conceição de Macabu é uma dessas cidades que reúnem todos os elementos necessários para dar certo. Há gente que acredita no trabalho, uma geografia favorável, recursos disponíveis e demandas claras da população. Ainda assim, pouca coisa avança como deveria. O potencial existe, mas permanece travado por decisões que não se materializam e por prioridades que nunca chegam à ponta.
Entre tantos problemas que poderiam ser destacados, hoje chamamos a atenção para a questão da segurança pública — tema que, inevitavelmente, passa também pelo investimento na área social, capaz de canalizar melhorias reais na qualidade de vida de toda a coletividade.
Em 2017, o então vereador Paulo Henrique apresentou a Indicação nº 063/2017, que tinha como principal objetivo o combate à criminalidade por meio da instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da cidade. A proposta previa a supervisão e a colaboração direta das forças de segurança que atuam em Macabu, como a Guarda Municipal e a Polícia Militar, instituições que detêm conhecimento técnico e vivenciam diariamente a realidade da segurança pública local.
No entanto, passados nove anos, não há qualquer informação de que o tema tenha sido retomado após 2017. Não por ausência de necessidade — que é evidente —, mas, ao que tudo indica, por falta de interesse. Cabe aos 11 vereadores, sem qualquer distinção, ouvir as demandas da população e provocar o debate junto à sociedade, ao Poder Executivo e a todos que tenham legitimidade para construir soluções efetivas no enfrentamento à criminalidade.
É um assunto polêmico, sem dúvida. Pode incomodar aqueles que preferem a obscuridade como aliada para a prática de seus crimes. Ainda assim, o que deve prevalecer é o interesse maior da sociedade, que clama por segurança, transparência e ações concretas.

Resta a pergunta: haverá algum vereador ou entidade representativa da cidade disposto a provocar e mobilizar os setores interessados para que, com urgência, seja implementado um conjunto de procedimentos capazes de oferecer ao cidadão macabuense um tratamento diferente do que é feito hoje?
Por aqui, seguimos aguardando o fim dos discursos inflamados e o início das ações concretas. Porque a população já cansou de promessas — e a cidade não pode mais esperar.
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