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Como combater o feminicídio sem transformar a violência em espetáculo cotidiano

Combate ao feminicídio exige rigor, prevenção e responsabilidade coletiva

26/05/2026 10h09 Atualizada há 2 semanas atrás
Por: Gaspar Collet Fonte: Redação
Como combater o feminicídio sem transformar a violência em espetáculo cotidiano

Nos últimos dez anos, o Brasil ampliou campanhas, endureceu leis e aumentou a visibilidade do debate sobre o feminicídio. Mesmo assim, os números continuam crescendo. Em 2015, o país registrava cerca de 500 casos anuais. Em 2025, as estatísticas já apontam algo próximo de 1.500 ocorrências, demonstrando que o problema segue longe de uma solução definitiva. 

O aumento dos casos levanta um debate delicado: até que ponto a forma de divulgação influencia o comportamento social? A discussão lembra o que ocorreu com o suicídio há algumas décadas. Durante muito tempo, o tema recebeu ampla cobertura da mídia, muitas vezes de maneira sensacionalista. Posteriormente, organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde passaram a recomendar critérios mais cuidadosos na divulgação desses casos, justamente para evitar o chamado “efeito de repetição”.

Especialistas defendem que o combate ao feminicídio deve continuar firme, com punições severas, proteção às vítimas e fortalecimento das políticas públicas. Porém, cresce a reflexão sobre a necessidade de mudar a forma de comunicação adotada pela sociedade e pelos meios de informação.

Há quem sustente que a repetição constante de notícias violentas, associada ao sensacionalismo, pode criar uma percepção distorcida da realidade social. Isso porque mais de 94% dos relacionamentos no país não possuem registros de violência grave ou conflitos legais, demonstrando que a convivência pacífica ainda é a regra entre os casais brasileiros. 

Outro ponto debatido é que a sociedade brasileira possui forte característica gregária e familiar. A família continua sendo uma das principais estruturas de apoio emocional, econômico e social da população. Nesse contexto, especialistas apontam que atitudes violentas deveriam ser tratadas como exceções graves e vergonhosas, e não como comportamentos normalizados.

A discussão também envolve o papel do Estado, dos legisladores e dos meios de comunicação. Enquanto parte da sociedade entende que a ampla divulgação ajuda na conscientização, outros defendem que o excesso de exposição pode contribuir para ampliar divisões sociais entre homens e mulheres.

Para estudiosos da área social e psicológica, o caminho mais eficiente talvez esteja no equilíbrio: combater o crime com rigor, proteger vítimas, incentivar denúncias e ampliar políticas preventivas, mas também reforçar exemplos positivos de convivência, respeito mútuo e estabilidade familiar. 

A prevenção da violência doméstica passa pela educação, pelo fortalecimento dos vínculos familiares, pelo acompanhamento psicológico e pelo estímulo ao diálogo. O desafio é encontrar formas de reduzir os crimes sem transformar a violência em espetáculo cotidiano.

O debate permanece aberto, mas uma conclusão parece consensual: combater o feminicídio exige responsabilidade coletiva, equilíbrio na comunicação e ações concretas que fortaleçam a cultura de respeito e dignidade humana.

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Gaspar Collet
Sobre Gaspar Collet
O professor Gaspar Collet Pereira destaca-se por sua formação acadêmica multidisciplinar e por suas contribuições ao campo da gestão e do desenvolvimento organizacional. É graduado em Administração, Contabilidade e Matemática, possui mestrado em Desenvolvimento Organizacional, doutorado em Gestão de Negócios e pós-doutorado em Gestão de Cidades. É também aluno do curso de PhD na Atlantic International University, com foco na aplicação de estudos de caso como metodologia de ensino em gestão, valorizando a integração entre teoria e prática. Graduando em Direito pela Uniensino e atua como professor Universitário e Além da atuação acadêmica, é sócio da imobiliária MAPA.
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