Em sessão marcada por acusações de corrupção e brigas ideológicas, um desabafo popular expõe a ferida da inércia legislativa, exigindo o fim do "palco" e o início do trabalho.
Constantino de Macabu, 10 de Dezembro de 2025 – O que era para ser uma sessão de encerramento de ano, com discursos de prestação de contas, transformou-se em um ringue de boxe político na Câmara Municipal de Constantino de Macabu. No centro do vendaval, o Vereador Gaúcho defendia sua aliança com o Executivo e sua prática de "assistencialismo", enquanto a oposição (representada por nomes como Cildo) acusava-o de desmerecer a fiscalização.
O debate, contudo, foi sumariamente interrompido por um grito ensurdecedor, que não veio do púlpito, mas sim da plateia, do lugar mais relegado: a voz do povo.
Em um momento de tensão máxima, onde os vereadores trocavam farpas sobre quem fazia mais ou menos — com acusações de que a situação estaria "levando dinheiro para votar" , uma cidadã, visivelmente revoltada e cansada, não aguentou. Seu desabafo cortou o debate como um raio:
"agora na cara trabalha pro público trabalha para nós que eu tô enjoada tô tô cheio que eu não tenho assistência nessa cidade não tenho tá vocês trabalha pra gente vocês são são eleitos aqui para trabalhar para nós não faz vocês não tomam vergonha e respeitam se.
A interrupção, que ecoou nos corredores do Legislativo, foi um tapa de luva nos ânimos inflamados. A exigência da cidadã é clara: o povo quer menos picuinha ideológica e mais resultados práticos! Ela cobrou, de forma veemente, que os representantes eleitos foquem em "trabalhar para nós" e lamentou a falta de assistência que enfrenta na cidade.
O clamor popular expõe a grande falha da Casa Legislativa: enquanto a população agoniza sem serviços essenciais, os vereadores gastam tempo valioso em embates sobre quem é o "salvador da pátria" ou em debates sobre "livre-arbítrio" e "assistencialismo"
O Vereador Gaúcho, um dos protagonistas do embate, tentou contemporizar, mas foi forçado a encarar a realidade bruta de quem está na plateia. A mensagem da cidadã é um ultimato: o povo está "enjoado" de conflitos estéreis e exige, de forma dramática, que os políticos encerrem a briga de egos e comecem a produzir.
A cena levanta a dúvida: será que a vergonha pública fará com que os nobres edis, finalmente, deixem o confronto de lado e se unam "em função de Constal de Macabu", como chegou a pedir um dos parlamentares ?
Até agora, a única certeza é que, na sessão de encerramento do ano, a lição de moral veio de quem paga a conta, e não de quem ocupa as cadeiras do poder.
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