A inadimplência voltou a ganhar força no Brasil e acendeu um alerta tanto para consumidores quanto para empresas. Segundo o Serasa, atualmente mais da metade da população adulta do país possui alguma dívida em atraso, refletindo um cenário de orçamento apertado, juros elevados e dificuldades para manter as contas em dia.
Segundo a organização, 83,4 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o equivalente a 50,8% da população adulta. O número evidencia a dimensão do desafio enfrentado por empresas de todos os portes, especialmente aquelas que dependem do crediário e das vendas parceladas para sustentar o faturamento.
Mas, se por um lado cresce o número de consumidores com contas em atraso, por outro muitas empresas ainda encontram dificuldades para realizar cobranças de forma eficiente. Roupas e calçados concentram maiores índices de atraso

Segundo o Índice de Inadimplência da Meu Crediário, referente a maio, o segmento de Roupas e Calçados lidera o ranking de inadimplência, com taxa de 10,40%. Logo atrás aparecem as Óticas, registrando 9,83%.
Já o setor de Móveis e Eletro apresentou o cenário mais controlado entre os segmentos analisados, encerrando o período com índice de 7,46%.
Os números mostram que o atraso nos pagamentos não está concentrado em um único perfil de consumidor, mas se espalha por diferentes categorias do varejo, exigindo estratégias cada vez mais estruturadas para recuperação de crédito.
Em períodos de aumento da inadimplência, muitas empresas concentram esforços na recuperação dos valores em aberto. No entanto, especialistas alertam que erros na abordagem podem comprometer não apenas o recebimento da dívida, mas também a relação comercial construída ao longo do tempo.
Diante disso, nossa redação conversou com especialistas da Meu Crediário, plataforma que realiza análises de crédito, aprova limites, controla pagamentos, que trouxe algumas dicas, inclusive de termos para usar ou não em mensagens para cobrar ao cliente. Vamos aos destaques!
Palavras como "dívida", "inadimplente" ou "cobrança urgente" podem criar uma reação defensiva logo no primeiro contato. Em vez disso, prefira expressões como "pagamento pendente", "valor em aberto" ou "regularização financeira".
Pequenas mudanças de linguagem ajudam a reduzir a sensação de pressão e aumentam a disposição do cliente para dialogar.
Nem toda inadimplência acontece por falta de interesse em pagar. Muitas vezes, o consumidor enfrenta dificuldades temporárias, imprevistos ou até mesmo esqueceu a data de vencimento.
Antes de insistir na cobrança, vale abrir espaço para compreender o contexto e identificar alternativas viáveis para ambas as partes.
Quanto mais fácil for para o cliente regularizar a situação, maiores as chances de sucesso.
Por isso, é recomendável que a empresa já tenha alternativas preparadas, como parcelamentos, novos vencimentos ou condições especiais para quitação. A flexibilidade demonstra interesse em resolver o problema e não apenas em exigir o pagamento.
Mensagens genéricas tendem a gerar menos engajamento. Utilizar informações do histórico de relacionamento, frequência de compras e comportamento de pagamento permite criar abordagens mais relevantes e eficientes.
Além de aumentar as taxas de resposta, a personalização transmite a percepção de que o cliente é valorizado pela empresa.
Uma única mensagem raramente resolve todos os casos. O acompanhamento periódico é fundamental para manter o diálogo ativo e demonstrar interesse na resolução da pendência.
O segredo está no equilíbrio: manter contato de forma cordial, respeitosa e consistente, sem excessos que possam ser interpretados como pressão ou constrangimento.
Com mais de 83 milhões de brasileiros enfrentando dificuldades para manter suas contas em dia, a cobrança deixou de ser apenas uma atividade operacional e passou a ocupar papel estratégico dentro das empresas.
Em um cenário de inadimplência elevada, organizações que investem em comunicação humanizada, negociação flexível e acompanhamento estruturado tendem a recuperar mais valores e preservar relacionamentos que podem gerar novas oportunidades de negócio no futuro.
Afinal, em tempos de orçamento apertado, saber cobrar bem pode ser tão importante quanto saber vender.
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