O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi suspenso nesta terça-feira (10) após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Com a decisão, a análise do caso foi interrompida temporariamente e deverá ser retomada no próximo dia 24 de março.
Antes da suspensão, o julgamento havia sido retomado com o voto do ministro Antonio Carlos Ferreira, que também havia pedido vista do processo em novembro do ano passado. Após a manifestação do magistrado, o placar ficou em 2 votos a 0 pela cassação do governador, além da declaração de inelegibilidade.
A ação foi relatada pela ministra Isabel Gallotti, que deixou a Corte eleitoral em novembro de 2025. Em seu voto, ela entendeu que houve abuso de poder político por parte de Cláudio Castro e de Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O afastamento de Bacellar ocorreu por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Segundo a relatora, houve desvirtuamento de políticas públicas para fins eleitorais, com uso da máquina pública em benefício próprio durante o processo eleitoral que resultou na reeleição de Castro.
As investigações fazem parte de Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) que apuram o possível uso irregular da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) durante o período eleitoral.
De acordo com as apurações, há indícios de contratações em massa sem concurso público, além de pagamentos considerados fora dos padrões administrativos. Parte desses pagamentos teria sido realizada em dinheiro vivo, por meio de saques efetuados em agências do Banco Bradesco.
Em parecer enviado ao tribunal, o Ministério Público Eleitoral afirmou que recursos do governo estadual teriam sido direcionados por meio da Ceperj com finalidade eleitoral. Segundo o órgão, a prática teria desequilibrado a disputa eleitoral que culminou na reeleição de Cláudio Castro ao governo do estado.
Com o pedido de vista de Nunes Marques, o processo fica temporariamente suspenso. A expectativa é que o julgamento seja retomado no dia 24 de março, quando o ministro apresentará seu voto e a Corte poderá dar continuidade à análise do caso que pode definir o futuro político do governador fluminense.
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