Enquanto o mundo avança em velocidade impressionante, Conceição de Macabu parece permanecer parada no tempo quando o assunto é oportunidade para a juventude. Vivemos a era da inteligência artificial, da computação em nuvem, do metaverso, da automação industrial, da internet de alta velocidade e das profissões digitais. Empresas de todos os setores exigem conhecimentos mínimos de informática, domínio de ferramentas tecnológicas e capacitação constante. No entanto, em pleno século XXI, muitos jovens macabuenses sequer possuem acesso gratuito e adequado à internet, muito menos oportunidades reais de qualificação profissional.
A realidade é dura e precisa ser enfrentada sem paixões partidárias ou disputas eleitorais. Não se trata de apontar culpados em um governo específico, mas de reconhecer a existência de uma prática histórica e sistemática de abandono da juventude local.
Em um cenário onde a tecnologia se tornou requisito básico para ingresso no mercado de trabalho, Conceição de Macabu não consegue oferecer sequer políticas permanentes de capacitação em informática para seus jovens. A ausência de cursos gratuitos de tecnologia, programação, design digital, manutenção de computadores e outras áreas ligadas ao mundo moderno representa uma barreira quase intransponível para milhares de adolescentes e jovens adultos que sonham com uma oportunidade.

O resultado dessa omissão é facilmente perceptível. Jovens concluem o ensino médio sem qualquer qualificação profissional. Ao procurar emprego, encontram um mercado cada vez mais exigente, que demanda habilidades que nunca tiveram a oportunidade de desenvolver. Sem trabalho, sem renda e sem perspectivas, muitos acabam entrando em um ciclo de exclusão social que se perpetua ao longo dos anos.
A falta de acesso gratuito à internet agrava ainda mais esse quadro. Atualmente, a internet não é apenas um meio de entretenimento; ela é instrumento de estudo, qualificação, trabalho, comunicação e desenvolvimento econômico. Negar ou não proporcionar mecanismos que ampliem esse acesso significa ampliar desigualdades e reduzir oportunidades.
Quando a sociedade deixa de investir em sua juventude, as consequências aparecem de diversas formas. Muitos jovens acabam vulneráveis a influências negativas, à evasão escolar, à marginalização e a comportamentos que prejudicam tanto suas próprias vidas quanto a coletividade. Outros formam famílias sem possuir condições econômicas mínimas para sustentá-las, reproduzindo um ciclo de pobreza que se torna cada vez mais difícil de romper.
Esse cenário não é novo. Em 2016, durante uma manifestação pública, o então Promotor de Justiça da comarca demonstrou preocupação com o elevado número de jovens macabuenses cumprindo pena de reclusão. Segundo sua observação, proporcionalmente, os índices locais superavam os registrados em diversos municípios da região. O alerta foi feito há quase uma década. A pergunta que permanece é: o que mudou desde então?

A resposta parece preocupante. As políticas públicas voltadas à juventude continuam insuficientes diante dos desafios contemporâneos. O município segue sem uma estratégia robusta de qualificação profissional, inclusão digital e preparação para o mercado de trabalho do século XXI.
Chama atenção também o fato de que a atual legislatura conta com vereadores jovens, representantes que, em tese, possuem maior proximidade com os desafios enfrentados pelas novas gerações. Os vereadores Rafinha, Nathália Braga, Felipe Félix e Coutinho Ramalho representam uma renovação etária no Legislativo Municipal. Entretanto, até o presente momento, não são conhecidas propostas estruturantes e factíveis capazes de enfrentar de forma efetiva os problemas relacionados à empregabilidade, capacitação tecnológica e inclusão digital da juventude macabuense.
A juventude não precisa de discursos motivacionais. Precisa de oportunidades. Precisa de cursos profissionalizantes, centros de tecnologia, programas de acesso à internet, parcerias com universidades, incentivo ao empreendedorismo e preparação para as profissões que já estão transformando o mundo.
O futuro não espera. A inteligência artificial já redefine carreiras. O trabalho remoto conecta profissionais a empresas em qualquer lugar do planeta. Novas profissões surgem todos os dias. Enquanto isso, muitos jovens de Conceição de Macabu continuam sem acesso às ferramentas mais básicas para competir em igualdade de condições.
Uma cidade que abandona sua juventude compromete seu próprio futuro. E o preço dessa omissão não é pago apenas pelos jovens. É pago por toda a sociedade, que convive com o aumento das desigualdades, da vulnerabilidade social e da perda de potencial humano que poderia estar impulsionando o desenvolvimento econômico e social do município.
A discussão, portanto, não deve ser sobre quem governou ontem ou quem governará amanhã. A questão central é outra: até quando a juventude macabuense continuará esperando por políticas públicas capazes de transformar oportunidades em realidade?
Nota da Redação:
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