Por Redação CH Jornal
Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2025
Uma megaoperação integrada das forças de segurança do Rio de Janeiro resultou na morte de sete suspeitos e na prisão de 19 pessoas nesta sexta-feira (10), em uma ofensiva de grandes proporções contra o Comando Vermelho (CV). A ação ocorreu em 15 comunidades da Região Metropolitana, menos de 24 horas após a morte de Ygor Freitas de Andrade, o “Matuê”, apontado como um dos chefes da facção na Zona Oeste.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o objetivo da operação foi desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, considerada uma das mais violentas do país.
De acordo com a Polícia Militar, seis suspeitos foram mortos no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, Zona Norte, durante uma ação do 41º BPM (Irajá). Os agentes relataram terem sido recebidos a tiros e revidaram.
Outro homem foi morto em confronto com o 15º BPM (Duque de Caxias) no Complexo da Mangueirinha, onde cinco suspeitos foram presos. Houve ainda prisões na Gardênia Azul (1) e na Tijuquinha (2).
O balanço parcial da operação aponta:
15 comunidades impactadas
19 presos
7 mortos
10 fuzis apreendidos
2 granadas
11 toneladas de barricadas removidas
As comunidades onde ocorreram as ações incluíram Cidade de Deus, Morro da Chacrinha, Gardênia Azul, Morro do Banco, Muzema, Rio das Pedras e Vila Kennedy, entre outras.
O subsecretário de Planejamento Operacional, Carlos Oliveira, destacou que, além da repressão armada, o governo tem mirado a estrutura econômica do tráfico.
“Já tivemos um bloqueio de R$ 6 bilhões em relação ao Comando Vermelho. É um baque importante para a organização criminosa”, afirmou Oliveira.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, ressaltou que a ofensiva desta sexta integra a chamada Operação Contenção, criada para frear o avanço do CV sobre novos territórios.
“Essa operação começou ontem, com a neutralização do Matuê, responsável por coordenar a expansão da facção na Zona Sudoeste. Ele era um alvo prioritário da inteligência policial”, declarou Curi em coletiva.
Ygor Freitas de Andrade, o Matuê, foi morto na quinta-feira (9), durante uma ação da Polícia Civil. Contra ele havia três mandados de prisão em aberto. Segundo as investigações, ele era o responsável por coordenar as invasões do CV em comunidades da Zona Oeste e teria atirado no policial civil José Antônio Lourenço, morto em maio.
A polícia considera a Chacrinha, na Praça Seca, uma das bases estratégicas do Comando Vermelho para a expansão territorial.
“No momento da abordagem, Matuê e seus seguranças reagiram e foram neutralizados. Era uma operação cirúrgica e necessária”, disse o secretário Curi.
Durante a operação, houve impacto direto na rotina dos moradores de algumas regiões. A Secretaria Municipal de Saúde informou que uma clínica da família em Rio das Pedras manteve o atendimento, mas suspendeu as visitas domiciliares.
Em Duque de Caxias, as aulas foram suspensas na Escola Municipal Hermínia Caldas da Silva e em duas creches: Abner Marques de Abreu e Parteira Maria Odete.
A Operação Contenção foi lançada em abril deste ano e já contabiliza 98 criminosos presos e 10 mortos em confrontos desde então. O foco é impedir o avanço do CV sobre territórios dominados por facções rivais e milícias, além de cortar as fontes de financiamento e logística do tráfico.
“Estamos falando de uma organização narcoterrorista, que tenta impor o medo e o domínio armado sobre comunidades inteiras. O Estado está reagindo com planejamento e inteligência”, reforçou Curi.
As forças de segurança afirmam que novas ações devem ocorrer nos próximos dias, com foco em áreas estratégicas para o tráfico e na captura de outros líderes da facção.
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