A decisão da Justiça do Rio de Janeiro de absolver os sete réus restantes pelo incêndio no Ninho do Urubu, que matou dez jovens atletas da base do Flamengo em 2019, caiu como uma bomba de indignação nas redes sociais e na opinião pública. O sentimento é unânime: revolta, dor e incredulidade.
A sentença, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, afirmou haver “ausência de demonstração de culpa penalmente relevante” e “impossibilidade de estabelecer um nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição”. Em outras palavras, ninguém será responsabilizado pela tragédia que chocou o país e tirou a vida de dez adolescentes que sonhavam com o futebol profissional.
Nas redes sociais, as reações foram imediatas e inflamadas. Um comentário que viralizou resume o sentimento de muitos brasileiros:
“Em qual lugar do mundo NINGUÉM seria responsabilizado por uma tragédia como aquela?”
Outro desabafo, igualmente comovente, destacou o abismo entre o tempo e a justiça:
“O ano era 2019. 10 crianças perderam suas vidas, 7 réus foram julgados. Em 2025, todos foram absolvidos. Justiça é o que menos temos no Brasil.”
As publicações relembram, com indignação, que os dez jovens dormiam em contêineres adaptados — sem estrutura adequada, sem alvará de funcionamento e sem condições mínimas de segurança. Um cenário de negligência que agora, segundo a Justiça, não tem responsáveis.
O Flamengo, que na época foi alvo de críticas e processos, voltou a ser duramente cobrado nas redes. “Clube bilionário, com estrutura de primeiro mundo, mas que colocou meninos para dormir em caixas metálicas. E agora, ninguém é culpado?”, questionou uma usuária no X (antigo Twitter).
Enquanto isso, familiares das vítimas e torcedores de todo o país revivem a dor e o sentimento de abandono. Passados mais de seis anos, o que resta é a lembrança de dez sonhos interrompidos — e a amarga constatação de que, no Brasil, tragédias podem ficar impunes.

Em frente ao centro de treinamento, torcedores e parentes realizaram nesta terça-feira (21) pequenas homenagens em memória dos meninos do Ninho. Velas, flores e lágrimas se misturaram à indignação de quem ainda acredita que a justiça precisa olhar para além dos autos — e enxergar as vidas perdidas.
“O fogo apagou há muito tempo. Mas a ferida continua aberta. E, agora, mais do que nunca, parece que nunca vai cicatrizar.”
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