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Direitos Humanos RIO DE JANEIRO

ONU condena megaoperação policial no Rio e pede investigação sobre mortes nas comunidades da Penha e do Alemão

29/10/2025 18h37
Por: Redação Fonte: CH JORNAL
/ fotos: ILUSTRAÇÃO
/ fotos: ILUSTRAÇÃO

A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou, nesta terça-feira (28), “profundo horror” diante da megaoperação policial realizada nas comunidades da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou ao menos 64 mortos — entre eles quatro policiais — e reacendeu o debate sobre a política de segurança pública e o uso da força em áreas vulneráveis.

Em comunicado divulgado pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU na rede social X (antigo Twitter), a entidade afirmou:

“Estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro, que supostamente já resultou na morte de mais de 60 pessoas, incluindo 4 policiais. Esta operação mortal reforça a tendência de consequências letais extremas das operações policiais nas comunidades marginalizadas do Brasil.”

A ONU também pediu que o governo brasileiro conduza investigações rápidas, independentes e eficazes sobre as circunstâncias das mortes e recordou que o país tem obrigações internacionais em matéria de direitos humanos, que exigem proporcionalidade e respeito à vida nas ações de segurança pública.

A ofensiva, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das forças de segurança estaduais e federais, teve como objetivo cumprir 51 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV), uma das principais facções criminosas do país. De acordo com a Secretaria de Segurança, a operação visava conter o avanço territorial da organização e capturar lideranças envolvidas no tráfico de drogas e em ataques armados.

Durante o confronto, criminosos reagiram com barricadas, drones, explosivos e intenso tiroteio. O balanço parcial aponta ainda 81 prisões e a apreensão de 75 fuzis, além de grande quantidade de munições e drogas. O material bélico reforça, segundo as autoridades, o alto grau de armamento da facção nas comunidades.

Enquanto o governo estadual defende a ação como “necessária e proporcional”, organizações da sociedade civil, defensores públicos e entidades de direitos humanos denunciam possíveis abusos, execuções e violações cometidas durante a incursão.

O caso será acompanhado por organismos nacionais e internacionais, e a expectativa é que o episódio volte a colocar em pauta a necessidade de revisão da política de enfrentamento armado nas favelas, frequentemente marcada por altos índices de letalidade e baixa efetividade no combate ao crime organizado.

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