A sucessão de escândalos envolvendo figuras de destaque da política fluminense ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (5). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu adiar para segunda-feira (8) a reunião que avaliaria se o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), deve continuar preso.
A decisão, assinada pelo presidente da CCJ, Rodrigo Amorim (União Brasil), se baseia no artigo 268-B do regimento interno da Alerj, que prevê prazo mínimo de 48 horas para manifestação da defesa — argumento que, segundo a comissão, poderia ser usado futuramente para alegar cerceamento.
Apesar do adiamento, a expectativa é de que o andamento prático da decisão não seja alterado, já que o plenário da Alerj poderá ser convocado ainda na própria segunda-feira, logo após a reunião da CCJ.
Bacellar foi preso na quarta-feira (3), dentro da Superintendência da Polícia Federal no Rio, durante a Operação Unha e Carne. Ele é investigado por supostamente vazar informações sigilosas da Operação Zargun e por orientar o deputado TH Joias a destruir provas. O presidente da Alerj nega todas as acusações.
TH Joias está preso desde setembro, investigado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e comércio de armas supostamente ligadas ao Comando Vermelho.
A votação da CCJ é o primeiro passo do rito constitucional que define se a prisão de um parlamentar pode ser mantida. Pela Constituição, casos de prisão — mesmo em flagrante por crimes inafiançáveis — só seguem válidos se forem referendados pela maioria simples do Legislativo.
Se não houver unanimidade pela manutenção da prisão na CCJ, um relator será designado para elaborar um Projeto de Resolução recomendando se Bacellar deve continuar detido e afastado do mandato. O parecer da CCJ expressa a posição formal da comissão sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que decretou a prisão preventiva.
No plenário, porém, trata-se apenas de uma recomendação. Deputados não são obrigados a segui-la. Para manter a prisão, são necessários 36 votos favoráveis entre os 70 parlamentares, excluindo o próprio Bacellar.
Rodrigo Amorim (União) – presidente
Fred Pacheco (PMN) – vice
Chico Machado (SDD)
Luiz Paulo (PSD)
Alexandre Knoploch (PL)
Elika Takimoto (PT)
Vinícius Cozzolino (União)
A convocação da CCJ ocorreu mesmo sem que a Alerj tivesse recebido a íntegra do processo do STF. Por ora, os deputados terão acesso apenas ao comunicado da Polícia Federal com a decisão de Moraes. Ainda assim, a Procuradoria da Casa deu aval para que o trâmite legislativo siga baseado no material disponível.
O caso Bacellar soma-se a uma longa sequência de crises políticas no Estado do Rio de Janeiro, marcado há décadas por operações policiais, escândalos de corrupção, investigações sobre desvio de recursos públicos e prisões de autoridades de alto escalão. Governadores afastados ou presos, presidentes da Assembleia envolvidos em investigações e sucessivos episódios de denúncias contra parlamentares compõem um cenário que expõe as fragilidades institucionais do estado.
Especialistas apontam que esse padrão recorrente — que envolve tanto o Executivo quanto o Legislativo — revela problemas estruturais de governança, práticas políticas arraigadas e baixa transparência, fatores que contribuem para a repetição de escândalos e desgaste da confiança pública.
A decisão da CCJ sobre Bacellar, portanto, não é apenas mais um procedimento legislativo: insere-se em um ciclo histórico de instabilidade e suspeitas que molda a política fluminense e que segue em aberto enquanto novas investigações avançam.
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